SECOM começa com discussão sobre o Rio no mundo contemporâneo: O espaço urbano da imagem

Primeira mesa da 9ª edição da SECOM. Foto: Daiene Beatriz

Primeira mesa da 9ª edição da SECOM. Foto: Daiene Beatriz

A Semana de Comunicação, promovida pela Universidade Veiga de Almeida, começou nesta manhã (3/6) abordando as transformações urbanísticas no Rio de Janeiro. Na primeira mesa do evento, três profissionais introduzidos diretamente neste universo iniciaram o debate com o intuito de incitar o interesse pelo tema entre os presentes.

Quem deu início às palestras foi Rosane Feijão. Doutoranda em Comunição Social pela UERJ e fascinada pelo Rio, a pesquisadora dedicou o seu mestrado ao estudo da cidade que, segundo ela, é a única megalópole do mundo que foi capital de um país e cresceu à beira-mar.

O estudo aborda a Cidade Maravilhosa à partir da popularização do banho de mar, no começo do século XX por preocupações inicialmente higienistas, que acabou por expandir e valorizar áreas da cidade que, até então, eram inabitáveis. Para isto, foi necessária a urbanização e criação de vias na Zona Sul e no Centro, transformando a cidade em um pólo global.

A criação de esteriótipos, desde então, foi imediata. Com a consolidação da cidade nos roteiros internacionais de turismo por conta das suas belas praias, as vestimentas e costumes da cidade ganharam o mundo em pôsteres, letras de músicas e exportação da moda-praia.

Para a pesquisadora, a popularidade das praias cariocas vai muito além da qualidade da água ou mesmo da areia. O que atrai pessoas do mundo todo ao Rio é a proximidade do mar com o asfalto, a interação de metrópole e balneário só encontrada aqui.

Visão fotográfica do meio urbanístico do Rio

Outro apaixonado pela natureza e pelo Rio, César Barreto, o segundo a discursar, abandonou três graduações em sua juventude para se dedicar àquilo que considerava hobby e logo viu que poderia levar como sustento: a fotografia.

Em seu trabalho, sempre procurou registrar as mais diversas paisagens cariocas, retratando a realidade em sua forma mais bruta, evitando cliques com pessoas ou interferências urbanas, como prédios e carros.

Inspirado pelo trabalho de Marc Ferrez, ele retrata a cidade com câmeras similares às usadas no começo do século para o portal cidadeolimpica.com.

Para o fotógrafo, a implantação das UPPs fez com que a cidade reconquistasse algumas de suas principais paisagens, restritas ao grande público por conta do tráfico nas comunidades.

Durante a exibição do seu trabalho, confessou se sentir atraído pela região portuária, local onde acontecerão as principais mudanças dos próximos anos e pelas construções mais antigas, que resistem ao tempo e contam um pouco da história da Cidade Maravilhosa.

Ricardo Ferreira é o ultimo a palestrar nesta manhã. Foto: Daiene Beatriz

Ricardo Ferreira é o ultimo a palestrar nesta manhã. Foto: Daiene Beatriz

Por uma conceituação de megaeventos nas metrópoles

Encerrando a manhã do primeiro dia de SECOM, o pesquisador-doutor, Ricardo Ferreira Freitas, reconhecido internacionalmente, acredita que o Brasil finalmente descobriu a vocação natural do Rio para receber pessoas e captar recursos. Para ele, é impossível dissociar o mais famoso cartão-postal do Brasil ao turismo e aos holofotes do mundo inteiro.

A escolha da cidade-sede, no entanto, foi motivo de contestações: Enquanto deveria ser feita pela estrutura e capacidade para atrair eventos, vem sendo posta em segundo plano. Na atual conjuntura, endossada pelo COI e pela FIFA, os eventos se transformam em catalizadores de recursos e provedores do desenvolvimento, fazendo com que grandes obras sejam construídas às pressas.

A abordagem da imprensa acerca dos fatos, também é citada como fundamental para construção do “brand”, adotando uma mudança no discurso difundido. Enquanto a cidade deveria se estruturar e deixar um legado para os moradores, tem passado por transformações visando os eventos e os holofotes internacionais.

Por Assessoria de Imprensa – 9ª SECOM

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